No silêncio o Tic-tac

No silêncio o Tic-tac
(Jorge Magno Lima)
  
Rigidez, tremor tudo com amor
Tremor, rigidez outra vez
Tremor, rigidez lentidão
Que coisa danada de bom
Instabilidade postural
Isto é normal
Alteração na fala
A tudo se iguala
Tristeza dor vergonha
Completam o seu sintoma (e você já não me quer mais)
Meu rosto fica oleoso
A saliva escorre pela boca
A perna prende
O corpo não obedece
O relógio inexoravelmente avança
No silêncio o Tic-tac
Uma criança chora
O zumbido te atordoa
A noite você não sofre a toa
No campo o perfume da flor
O casebre pela janela deixa fugir
Uma luz bruxuliante
As luzes das estrelas também fogem pelo universo
A vida se recolhe para o descanso
Os bandidos tramam a delinqüência
A criança dorme na inocência
Eu me contorço numa dança esquisita

A seca a desdita
Enquanto uns se recolhem
Outros saem para caçar o sustento
Um café servido
Meu ouvido apita, que zumbido.

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